Caracterização Ambiental da Microbacia Hidrográfica do rio Bananeiras

 

 

 

Realização

Oads

Patrocinadores

Critical Ecossystem

Apoio

Prefeitura Silva Jardim

 

 

 

OBJETIVO

 

Este projeto possui como objetivo geral oferecer informações que facilitarão a implantação de corredores ecológicos e implantação de Plano de Bacia do Rio São João.

Objetivos específicos

Levantar dados relativos às condições ambientais das nascentes, córregos e rios da microbacia do rio Bananeiras;
Conhecer o perfil ambiental das propriedades da microbacia do rio Bananeiras;
Elaborarção de mapas temáticos que servirão de parâmetros para tomada de decisão dos gestores da bacia do rio São João;


O PROJETO

 

COORDENADOR DO PROJETO: Ezequiel Moraes - OADS

A microbacia hidrográfica do Rio Bananeiras, localizada no Município de Silva Jardim, tem sofrido ao longo de décadas impactos decorrentes do uso irracional do solo e utilização indiscriminada dos recursos naturais renováveis e não renováveis. Resultados desta ocupação são visíveis, entretanto, não foram ainda mensurados de forma sistemática, a ponto de fornecer confiabilidade para serem usados em tomadas de decisão para um manejo adequado da bacia. Apesar do esforço de diversas entidades voltadas para conservação dos recursos hídricos e da biodiversidade, existe uma carência de informações básicas a respeito das condições de conservação destes recursos naturais em escala microregional. Aspectos sócio-econômicos, sócio-ambientais, vazão, saneamento básico, uso do solo, mapeamento das nascentes e suas condições de conservação, atualização cartográfica dos córregos e rios, delimitação das áreas de preservação permanente, cadastro dos proprietários da microbacia, análise da paisagem com vistas a indicar possíveis conecções entre fragmentos isolados, foram considerados neste projeto. Os dados coletados foram georeferenciados e inseridos em um SIG. A caracterização ambiental fornecerão dados e informações que contribuirão para a implantação do Plano de Bacia do Rio São João, e as informações obtidas estão disponíveis para entidades que tenham por objetivo desenvolver a sustentabilidade dos recursos ambientais.


 


OBJETIVO

 

Este projeto possui como objetivo geral oferecer informações que facilitarão a implantação de corredores ecológicos e implantação de Plano de Bacia do Rio São João.

Objetivos específicos

Levantar dados relativos às condições ambientais das nascentes, córregos e rios da microbacia do rio Bananeiras;
Conhecer o perfil ambiental das propriedades da microbacia do rio Bananeiras;
Elaborarção de mapas temáticos que servirão de parâmetros para tomada de decisão dos gestores da bacia do rio São João;


METODOLOGIA APLICADA

 

Este projeto foi baseado em levantamento de dados no campo e paralelamente os mesmos foram inseridos em computador. Os programas utilizados foram o Microsof Word e Excel 2003, Corel Draw 12 e ArcView 3.2. As atividades necessárias para atingir o objetivo do projeto foram:

- A adquicisão de equipamentos e materiais necessários (máquina fotográfica, GPS, computador e imprressora;
- Demarcação, em imagem LandSat com escala 1:50.000, os limites da microbacia;
- Contratação de mateiro que serviu tambem como guia;
- Os trabalhos de campo:
– localização das nascentes, percorrendo os cursos dos córregos, georeferenciando os pontos com GPS, demarcação de sua área de proteção até
a sua inserção com o rio Bananeiras;
– Localização das propriedades, identificação dos proprietários (dando prioridade para propriedades que façam limites com rios e córregos);
– Foram aplicados questionário nas propriedades e questionários específicos na comunidade;
– Foram administradas palestras nas comunidades sobre a importância dos recursos naturais;
– Foi monitorado as vazões dos córregos e rios;
– Identificação das agressões ambientais existentes na bacia.
Os dados foram tabulados, analisados e as informações transferidas para o sistema de informações geográficas (SIG) utilizando o software ArcView 3.2.
Foram feitos os mapas temáticos:
– Mapa de sensibilidade ambiental. Este mapa indica os pontos frágeis da bacia, que necessitarão de intervenção prioritária de conservação;
– Mapa de delimitação das áreas de preservação permanente (APP). Este mapa indica os limites e as condições das APP;
– Mapa de identificação dos fragmentos florestais;
– Mapa de sugestões de possíveis corredores ecológicos.


 


RESULTADOS ALCANÇADOS

 

Da Microbacia.

A microbacia do rio Bananeiras foi demarcada sobre imagem de satélite Landsat georeferenciada e mensurada utilizando o programa Arcview 3.2, a mesma apresentou uma área de aproximadamente 80 km², isto significa que a microbacia ocupa uma superfície de cerca de 9% do município de Silva Jardim, dados de curvas de nível, localização e tamanho em dos principais rios foram mapeados.

Utilizando um aparelho GPS (modelo MAP 76S) da Garmim, foram identificadas e georeferenciadas 95 nascentes, das quais 55% delas encontram-se ainda com sua mata ciliar em excelentes condições de conservação, ou seja, possuem florestas nativas ao redor, 27% estão cercadas por capoeiras e 17% estão sem qualquer forma de vegetação arbórea em seu entorno. Vale salientar que todos os proprietários se mostraram receptivos ao trabalho da coleta de dados sobre as nascentes, liberando prontamente a entrada e permanência do coletor de dados na propriedade. Carta solicitando o apoio deles ao projeto foi emitida pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Silva Jardim.


 


 

Dos DadosSócio-Ambientais.

Foram entrevistados 29 moradores da área urbana da localidade Bananeiras, sendo 62% do sexo feminino e 38% do sexo masculino, entretanto não foi realizada uma análise diferenciada por sexo.

Sob o aspecto da escolaridade a maioria entrevistada, cerca de 52% cursou até a 4ª série do ensino fundamental e 21% da 4ª série até a 6ª série. A população urbana de Bananeiras é bem servida de disponibilidade de água potável, pois 100% afirmaram possuir água encanada em suas residências, serviço este oferecido pela prefeitura de forma gratuita, por outro lado a comunidade não possui sistema de coleta e tratamento do esgoto doméstico por rede, o que corrobora as informações de 79% que disseram possuir fossa em seus quintais, contra 14% que afirmaram possuir apenas sumidouro, não deixando claro o destino final do esgoto.

O emprego (falta de trabalho) é a maior preocupação quanto a carência local para 35% dos entrevistados, seguido da saúde 22% e transporte 18%, ainda citaram como problemas locais, a precariedade do policiamento, estrutura para turismo, lazer, comércio, esgoto e estradas mal conservadas.

Os rios da região são conhecidos por 93% dos entrevistados, e 63% destes, mostraram conhecer por nome um ou mais rios num total de 27 citações. Saber o que é a mata ciliar correspondeu ao conhecimento de 31%, enquanto 69% desconhecem o que é mata ciliar, dos que sabem, 100% acham que ela é importante. Para esta amostra, 58% não conseguiram apontar os principais problemas dos rios na região de Bananeiras, enquanto que 42% identificaram questões como desmatamento (33%), enchentes (20%), retificação (13%), também citaram dragagem, ponte caindo, poluição, esgoto e erosão.

Cerca de 52% dos entrevistados mostraram interesse em participar de algum projeto que tenha por objetivo a melhoria das condições e qualidade dos rios da região, 21% não possuem interesse, enquanto que 27% não responderam.

Quando perguntados quais tipos de atividades que prejudicam os rios, 27% não responderam, 17% disseram não saber, os outros 56% afirmaram que os despachos de macumba (27%), turistas (21%), desmatamento (16%), lixo (16%), nenhuma (10%), estrutura (ex. pontes) (5%) e esgoto (5%), são as atividades que mais prejudicam os rios.


 


CONSIDERAÇÕES

 

Considerando o grau de fragmentação da mata atlântica e o histórico do uso do solo na região, o número de nascentes (n=95) identificadas pode ser considerado surpreendente, estes dados demonstram uma densidade de pelo menos 1,2 nascentes por km2 na microbacia do rio Bananeiras. O grau de conservação, somadas as nascentes com florestas e aquelas com capoeira como matas ciliares (82%), indicam que os esforços a serem aplicados na recuperação das matas ciliares serão em maior parte ao longo das margens dos rios, principalmente onde estes entrecortam pastos, já na parte média e baixa do rio bananeiras.

Somados os 52% que estudaram até a 4a série e os 21% que estudaram até a 6 a série, é visível o baixo nível de escolaridade, pois a maioria (73%) sequer concluiu o ensino fundamental. A comunidade aproveita bem o recurso hídrico que tem disponível para uso doméstico, por outro lado o sistema fossa é largamente utilizado como forma de tratamento do esgoto.

O emprego, a saúde, e transporte são as maiores preocupações dos entrevistados. É de se esperar que o emprego seja visto com grande preocupação, pois a localidade não oferece alternativas de renda, com a maioria dos serviços voltados para atividades na agropecuária, que em geral apresenta baixa remuneração, combinada com o uso cada vez mais freqüente da mecanização, o que diminui a oferta de postos de trabalho pois exige também uma maior escolaridade.

Ficou demonstrado que a maioria conhece pelo menos a maior parte dos rios da região, inclusive nomeando a vários deles, entretanto, a mesma maioria não sabe o que é a mata ciliar, mas aqueles que sabem afirmaram que ela é importante para o rio. Foi alto também o percentual (58%) daqueles que não indicaram os principais problemas dos rios, mas aqueles que apontaram o fizeram com clareza, quando afirmam problemas principais como o desmatamento, enchentes, retificação, além da dragagem, poluição, esgoto e erosão.

Quando 52% responde que tem interesse em participar de algum projeto que tenha por objetivo a melhoria das condições e qualidade dos rios, não fica claro se vêem isto como apenas uma oportunidade de emprego, ou porque estão comprometidos com a causa da conservação.

A atividade de oferenda religiosa como o “despacho” é fortemente repudiada nesta comunidade, também não possuem afinidade com turistas eventuais que acampam nas margens, segundo os entrevistados todo o lixo encontrado as margens é proveniente dos acampamentos.

O desmatamento é entendido como uma das principais atividades que prejudicam os rios, isto demonstra um certo grau de conhecimento quanto ao papel das florestas para a manutenção do equilíbrio hídrico do sistema.

De modo geral o projeto obteve dados relevantes que propiciarão ações de manejo sustentável da microbacia, corroborando assim, para o Plano de Bacia do Rio São João. Palestras, folders, banners e atividades de Educação Ambiental deverão ser introduzidas na comunidade local a fim de fortalecer a percepção sobre a microbacia, sua importância no contexto sócio ecológico e o meio ambiente como um todo.

A quantidade de nascentes, o grau de conservação destas, reforçam a importância desta microbacia como contribuinte da bacia hidrográfica do rio São João. Sendo, portanto, imprescindível esforço no sentido da manutenção deste sistema e ações mitigadoras aos impactos antrópicos nela identificados.

As informações levantadas servirão de embasamento para elaboração de projetos de reflorestamento de matas ciliares e proteção das nascentes. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Silva Jardim, se manifestou interessada em promover o plantio para proteção das nascentes que se apresentaram sem qualquer forma de vegetação arbórea ou herbácea em seu entorno e a OADS procurará financiamento para atividades complementares a este projeto junto ao Comitê de Bacia Lagos-São João.

Pode-se considerar que a manifestação de recuperação dos aspectos negativos da microbacia são desdobramentos das atividades desenvolvidas por este projeto, pois sem as informações apresentas não seria possível obter um retrato do grau de degradação em que se encontra a microbacia.


 

 

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